Da etimologia à harmonização neo-latina: motivações gráficas na escritura de a mais encantadora mulher (1903) do romancista brasileiro Gonzaga Filho

Autores/as

DOI: https://doi.org/10.6018/ER.461171
Palabras clave: História da ortografia do português, Sincronias passadas, Tendências gráficas, Gestos metaortográficos, Gonzaga Filho, A Mais Encantadora Mulher

Resumen

Neste trabalho, refletimos sobre a natureza das motivações defendidas pelo romancista brasileiro Gonzaga Filho em sua obra “A Mais Encantadora Mulher”, publicada em 1903. Além das proposições etimológicas, fonéticas e prosódicas, o autor faz uso de uma proposição muito particular, que ele nomeia de harmonia neo-natina. Para o autor, não havia, até a data de publicação de seu romance, no mundo lusófono, nenhum léxico que se impusesse como autoridade a ser seguida. Através da obra de Gonzaga Filho, observamos o comportamento do movimento metaortográfico que se desvelou, no início do século XX, para a constituição ortográfica da língua portuguesa em sincronias passadas e sua importância no processo de estandardização da grafia.

Biografía del autor/a

Hozanete Lima, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Brasil)

Professora de Línguas e Literaturas Clássicas e Linguística Românica na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, Brasil. Tem publicado diversos artigos, no Brasil e no exterior, e orienta dissertações e teses no domínio dos estudos do texto e dos discursos. Também desenvolve pesquisas no campo da tradução e da história das ideias linguísticas.

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Publicado
29-07-2021
Cómo citar
Lima, H. (2021). Da etimologia à harmonização neo-latina: motivações gráficas na escritura de a mais encantadora mulher (1903) do romancista brasileiro Gonzaga Filho . Estudios Románicos, 30. https://doi.org/10.6018/ER.461171